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17.11.06

A ciranda acabou de começar

Uma cerveja depois de jantar é muito bom pra ficar pensando melhor.
Uther de Rennes 9:55 AM

8.11.06

Eu assino, tu assinas, nós assinamos


A sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos agredidos em réu. O senador moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação em virtude de artigo publicado no site Carta Maior, no qual Emir Sader reagiu às declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça que deve ficar extinta por 30 anos".

Na sua sentença, o juiz condena o sociólogo "à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução".

O juiz ainda determina: "(...) considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado".

Numa total inversão de valores, o que se quer com uma condenação como essa é impedir o direito de livre expressão, numa ação que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É também uma ameaça à autonomia universitária que assegura que essa instituição é um espaço público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e a perda do emprego conquistado por concurso público, é um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças.

Nós, abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.
(Os que desejarem assinar, cliquem AQUI).
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Uther de Rennes 5:57 PM

6.11.06

A segunda batalha de Oaxaca


No dia de Finados, 2 de novembro, forças federais mexicanas tentaram tomar a Universidade Autônoma Benito Juárez, em Oaxaca (México), para silenciar a rádio da Assembléia Popular. Mas o povo resistiu, fazendo os atacantes recuarem. Paradoxalmente, a operação não visou à desmobilização dos grupos irregulares (paramilitares), responsáveis pela confusão e pelas mortes no dia 29. Dirigiu-se apenas contra os lugares onde a Assembléia Popular tinha presença pública. O primeiro objetivo foi então desmantelar as posições no ¿zócalo¿ (a praça central onde ficam os edifícios dos poderes constituídos) e inutilizar os meios de comunicação com que os povos oaxaquenhos se comunicavam entre si e com o mundo.
Análise de Ana Esther Ceceña, da Universidade Autônoma do México, especial para Carta Maior.
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Uther de Rennes 11:07 PM

1.11.06

Articulações em rede geram protestos no mundo contra violência em Oaxaca (México)


Em vários países estão sendo realizadas manifestações em defesa dos movimentos sociais organizados de Oaxaca, que estão sendo alvo, nos últimos dias, de uma forte repressão governamental. No Brasil, ocorreram ações em diversas capitais, inclusive em Fortaleza, ontem (31/10) e hoje. manifestantes fizeram ato em frente ao Consulado do México em Fortaleza e entregaram uma carta repudiando os assassinatos e sequestros ocorridos nos últimos dias.

O Centro de Mídia Independente (CMI) informou que a ameaça iminente da agressão das tropas do governo federal do presidente Vicente Fox e de Ulises Ruiz Ortiz, Governador de Oaxaca, foi concretizada. Como parte da brutal ofensiva repressiva, que já provocou a morte de sete pessoas desde a sexta-feira (27/10), bandos armados atacaram uma das rádios que estava sobre o controle da população, matando quatro pessoas. Um deles era Brad Will, jornalista do Indymedia de Nova York, que foi morto com sua câmera na mão registrando o brutal ataque.

O subcomandante insurgente Marcos, do Exército Zapatista pela Libertação Nacional (EZNL), comandou hoje o bloqueio de 30 minutos da ponte internacional que une Ciudad Juárez (México) com El Paso (Texas, EUA), em apoio ao movimento popular de Oaxaca. A ação, segundo Marcos, também foi em apoio aos "trabalhadores explorados e humilhados deste e do outro lado da fronteira".

Exatamente sobre a linha divisória do México com os Estados Unidos, cerca de 500 pessoas de ambos os países se encontraram para apoiar esta ação. Deste encontro participaram entidades civis do México e dos Estados Unidos, como a Border Witness Delegation e um grupo de agricultores da cidade de El Paso, assim como organizações chicanas (norte-americanos de origem mexicana).

Para o CMI, foi o próprio presidente do México, Vicente Fox, que provocou os assassinatos, para reforçar sua tentativa de mandar as tropas da Policia Federal Preventiva (PFP) à cidade, para tentar acabar com a mobilização, liderada pela Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO). A PFP já adentrou a cidade e o povo resiste pacificamente, mantendo barricadas nas entradas da cidade, para manter de pé a Comuna frente ao ostensivo aparato militar do Estado.

Desde junho deste ano, o povo de Oaxaca protagoniza uma insurreição originada por greves de professores, que logo derivaram no pedido de renúncia ao governador Ulises Ruiz e a auto-proclamação da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) como sua única representante. Já foram realizados atos em diversos países do mundo em solidariedade ao povo de Oaxaca e em outros vão ocorrer durante a semana. Esse movimento internacional é fundamental para defender o povo de Oaxaca e seu órgão de luta, a APPO.

Fontes: Adital e Agência Carta Maior.
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Uther de Rennes 10:13 PM

França lança canal para concorrer com visão anglo-saxã

Baseado em "valores franceses", o France 24, um canal internacional francês de notícias ininterruptas, será lançado em dezembro com financiamento estatal para competir com pontos de vista "anglo-saxões" disseminados pelas líderes do mercado, BBC e CNN, informou ontem (31) o presidente e diretor-executivo do novo canal, Alain de Pouzilhac. A emissora começará a transmitir na internet em inglês e francês em 6 de dezembro e, dias depois, via satélite.

Como suas rivais britânica e americana, o France 24 se fiará em "líderes de opinião" em todo o mundo para apresentar um cardápio de notícias, artigos e discussões. Mas os telespectadores, segundo Pouzilhac declarou ao jornal Le Figaro, têm se tornado cada vez mais "céticos sobre a visão de mundo oferecida pelos anglo-saxões da BBC World e da CNN International". Ao contrário, asseverou, eles "buscam opiniões contraditórias, que é o que a France 24 propõe ao se fiar em valores franceses".

O fato curioso da proposta é o financiamento estatal, que pode dar um novo caráter à "relação político-econômica" que tem mantido os canais de televisão internacionais. A notícia não considera um canal internacional, todavia, a experiência da TV Sur, capitaneada pelos governos de países da América Latina. Não é exatamente uma surpresa. Mas cabe uma análise mais aprofundada sobre o fato.

Notícia completa AQUI.
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Uther de Rennes 7:37 AM


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